Nossa História

Egreja Presbyteriana de Copacabana
Texto de Dorotheu A. da Costa, secretário da Comissão de Construção, publicado no jornal “O PURITANO”, no Rio de Janeiro /RJ, edição nº718, de 20 de setembro de 1913, páginas 2 e 3; na capa, uma foto com a fachada do tempo recém-construído trazia a chamada para a matéria. Eventuais discrepâncias observadas no texto com relação à norma ortográfica atual foram preservadas na transcrição, para que se mantivesse máxima fidelidade à fonte da qual o material foi extraído.


“Inaugurando-se hoje nesta localidade, à Rua Barata Ribeiro, nº297, o novo templo evangélico presbyteriano, é justo que façamos aqui uma resenha histórica sobre a sua origem e desenvolvimento.

O espaço de que dispomos é diminuto, por isso não podemos desenvolvê-la como pretendíamos, e, sendo assim, é natural que haja omissão dos nomes de muitos dos incansáveis (...) que tem levado por deante a (...) da propagação do Evangelho de nosso Senhor JESUS CHRISTO.

A esses pedimos que relevem taes omissões, filhas não de uma falta de reconhecimento, mas da carência de espaço neste Jornal, e, animados pela certeza que nutrimos, de sermos desculpados, (...) entramos no assumpto.

Em 1909, alguns membros da Egreja Presbyteriana do Rio de Janeiro, residentes nesta localidade, resolveram-se unir-se com o intuito de alugarem uma sala para a realização de cultos evangélicos.

Já anteriormente na casa de Inhangá nº31, residência do servo do Senhor, Emilio Duffrayer, sob os auspícios dos pastores da Egreja Presbyteriana de Botafogo, Revs. Samuel Barbosa e Constancia Omegna, alguns cultos de propaganda haviam sido realizados. Esse trabalho, porém, não teve o desenvolvimento almejado, ficando paralizado dentro de pouco tempo.

Reunido o primeiro grupo de crentes, que se compunha da Exmas. Sras. DD. Francisca Clarck e Julia Pereira, dos Srs. Orestes Pernasetti, Felippe Duque Estrada, Moguel Rodrigues e olutras pessoas, foi alugada a sala da casa da rua Barata Ribeiro nº331. Estava dado o primeiro passo para a propagação do Evangelho do Divino Mestre JESUS CHRISTO neste soberbo arrabalde do Rio de Janeiro, e foi assim que, a 25 de janeiro de 1910, tivemos o prazer de assistir, com regular concorrência, ao primeiro culto dirigido pelo Rev. Constancio Omegna. D’ahi por deante elles tiveram logar regularmente às terças-feiras às 7 horas da noite.

Logo após ao início desse trabalho começamos a sentir as beneficas influências lá do alto, vindo juntar-se àquelle primeiro grupo outros crentes residentes no bairro e mesmo algumas pessoas que, embora não professas, eram sympathicas à causa do Evangelho, pessôas essas que muito nos teem auxiliado.

Obtida a sala e iniciado o serviço de cultos, outro problema se apresentava exigindo uma solução imediata: era o seu mobiliário. Com a ajuda de DEUS esse problema teve uma solução satisfactoria, pois o nosso querido irmão Emilio Duffreyer promptificou-se a confeccionar um pequeno pulpito e mais dez bancos envernizados, com encosto, onde a assistência, já relativamente numerosa, podesse estar melhor accommodada, dispendendo a Congregação somente o necessário para acquisição dos materiaes.

Regularmente, pois, os cultos foram sendo realizados na citada casa da rua Barata Ribeiro º331 até o anno passado, quando passaram a ser effectuados no predio da rua Barroso nº28, gentilmente cedido pelo irmão Felippe Duque Estrada, por haver necessidade daquella casa de entrar em reparos.

O trabalho regular de pregação às terças-feiras ficou affecto ao Rev. Constancio Omegna que depois passou-os ao Rev. Lino da Costa, mas desde o início dos trabalhos evangelisticos até a presente data se fizeram ouvir na Congregação Presbiteriana de Copacabana os Revs. Álvaro Reios, Franklin do Nascimento, Brown, M. Barcellos, Vann, Pedro Campello, Francisco de Souza, Laudelino de Oliveira, o seminarista Tancredo da Costa hoje ordenado e pastor da Egreja do Botafogo. Há um anno que a direcção espiritual está nas proficientes mãos do Rev. Laudelino de Oliveira.

A acceitação que teve este trabalho evangelístico por parte do público foi muito animadora. Não era raro o ver-se a sala de cultos completamente cheia e do lado de fora, na rua, algumas vezes com chuva, muitos outros assistentes em attenciosa e interessada attitude.

Esses e outros factos nos animaram a ampliar o serviço pela Lagoa Rodrigo de Freitas, no lugar denominado Praia Funda, e por Ipanema. Foi então iniciada uma série de cultos de propaganda naquellas duas localidades, em casas de irmãos crentes ali residentes.

Como aqui em Copacabana os cultos em Ipanema e Praia Funda tiveram boa acceitação. Em Ipanema se fizeram ouvir o presbytero de Botafogo Sr. Theodoro Wolmer e os Rev. Tancredo Costa, Bernardino de Souza e Laudelino de Oliveira.

Organizado o trabalho de cultos, pensou-se na organização de ma escola Dominical e, felizmente, com a graça de DEUS, tivemos o prazer de ve-la inaugurada no dia 8 de maio de 1910, ficando a sua direção em mãos do activo e operoso irmão Orestes Prnasetti que, abençoado pelo SENHOR e ajudado por outros irmãos, imprimio-lhe uma actividade e desenvolvimento que excedeu a sua própria expectativa.

Como no trabalho de cultos houve necessidade de abrir-se uma secção da Escola Dominical em Praia Funda e outra em Ipanema, esta, porém, teve pouca duração.

O trabalho de propaganda evangelística continuou sempre crescente, e tornando-se já insufficientissima a sala de cultos, a Congregação resolveu reunir-se em Assembléia Geral a 12 de setembro de 1911, para tratar da compra de um terreno onde fosse erigido um templo e em cujo local mais propriamente se prestasse o devido culto e adoração a DEUS.

Trocadas as indispensáveis idéias sobre o assumpto, ficou deliberada a acquisição do terreno da rua Barata Ribeiro nº297, nomeando-se para isso uma commissão.

Essa deliberação causou grande contentamento entre os congregados que resolveram correr listas para obtenção dos fundos necessarios.

A 8 de novembro seguinte estava effectuado o necessario accôrdo e a Congregação entrava na posse do alludido terreno pela quantia de 11.700$000, que seria paga em prestações diminutas.

De posse do terreno tornava-se urgente a conversão de esforços para a contrução do templo. Ao nosso prezado irmão architecto Archimedes Trajano foi solicitada a necessária planta, o qual, sem demora, a confeccionou e offereceu gratuitamente.

Feita a planda e preenchidas as formalidades junto à Prefeitura Municipal, deu-se começo às obras.

A 12 de janeiro de 1912, isto é, quatro meses depois da resolução da Assembléia Gral, por occasião das festas do jubileu da Egreja Presbyteriana no Brasil, achando-se reunido nesta Capital o Supremo Concílio da mesma Egreja, tivemos a ventura de proceder à cerimônia do lançamento da pedra angular do templ que hoje se inaugura.

Com a presença do Moderador do referido Supremo Concílio Rev. Roberto Frederico Lenigton, dos ministros do Evangelho de JESUS CHRISTO nesta Capital e em vários Estados da União, de muitos crentes e de várias outras pessoas, procedeu-se ao lançamento da pedra angular obedecendo ao ritual presbyteriano como se acha exarado no Manual do Culto, 4ª edição, do Rev. Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa.

Ao proceder ao lançamento o referido Moderador fez uma emocionante prece o DEUS ALTÍSSIMO e o Rev. Jeronymo Gueiros, pastor da Egreja Presbyteriana de Natal, no Estado do Rio Grande do Norte, um sermão belíssimo allusivo ao acto.

Em uma caixa de chumbo collocada na pedra angular foram encerrados um exemplar da Biblia Sagrada pelo padre João Ferreira de Almeida, edição de 1911; um exemplar do Novo Testamento de NOSSO SENHOR JESUS CHRISTO, edição brazileira de 1910 e comemorativa do Jubileu da Egreja Presbyteriana no Brasil – 1862-1912 -; um exemplar do programa official da Assembléia Geral da referida Egreja reunida nesta cidade de 10 a 20 de janeiro de 1912; um broche de prata distinctivo da Sociedade Auxiliadora de Senhoras da Egreja Presbyteriana do Rio de Janeiro, para tal fim deixado pela finada irmã D. Julia Magdalena; o Correio da Manhã nº3.829; A Noticia, anno XIX, nº11; A Gazeta de Noticias, anno XVI, nº12; O Puritano nº630; um exemplar d’O Tribunal de Christo do Rev. Alvaro Reis e um exemplar, em pergaminho, da acta lavrada na occasião.

Apesar da miúda chuva que cahia então, a cerimônia teve grande solenidade e foi muito concorrida, terminando às 5 ½ horas da tarde com a bençam apostólica impetrada pelo Rev. Modesto Perestrello Barros de Carvalhosa.

Dessa data em deante as obras foram tendo um andamento de accordo com os recursos pecuniários que chegavam às mãos da comissão encarregada da construção: ora ficavam completamente paralizadas, ora seguiam seu moroso curso. Ajudados sempre por DEUS, invocando constantemente a sua divina presença e direcção, conseguimos meses depois collocar a cobertura da sua casa de oração.

Nesse dia a commissão organizou uma pequena festa que trouxe alguns recursos para o prosseguimento da sacrossanta tarefa.

Esgostados esses e outros recursos que conseguimos obter, e tendo a comissão sobre si o peso de algumas dividas, resolveu fazer parar as obras até que o SENHOR fosse servido de nos conceder um meio de prossegui-las.

Sentindo profundamente esse facto, permaneceu a commissão inactiva sem poder agir a não ser para solver os compromissos referidos; outrossim, a pequena Congregação de Copacabana, participando, como é natural, do sentimento da commissão, resolveu, se não podia agir por meio de recursos pecuniários por faltarem completamente, todavia resolveu fazer o que em tudo deve fazer o christão: nas suas humildes reuniões em casa do irmão Felippe Duque Estrada, orar ao nosso DEUS pedindo-lhe nos socorresse em situação tão angustiosa.

E DEUS ouviu-nos!

E DEUS veio em nosso socorro! E de um modo admirável.

Tendo o reverendo Laudelino de Oliveira Lima ido visitar a família Januzzi, em conversação sobre o trabalho evangélico em Copacabana, com pessoas da mesma família, o nosso prestante e dedicado imão commendador Antonio Januzzi manifestou-se sympathico à construcção do nosso templo e dizendo-se impulsionado por um desejo sincero de auxiliar-nos, fez-nos a dádiva da esquadria e fôrro. Anterioremente, no início das obras, já este mesmo bom servo do SENHOR havia feito o valioso donativo do assoalho de peroba, a pedido de uma commissão de senhoras pertencentes à Congregação.

Conhecendo o irmão Commendador Januzzi que apesar do seu auxílio já prestado estavamos com os braços atados por falta de recursos para prosseguimento das obras, deliberou assumir a responsabiolidade da continuação e acabamento das mesmas, responsabilizando-nos pelo seu ulterior pagamento e sem prazo estipulado!

Devido pois à reconhecida generosidade deste illustre irmão, podemos hoje inaugurar este bello templo consagrado ao serviço do SENHOR JESUS.

É preciso também que aqui fique registrado que o digno irmão Felippe Duque Estrada, além de acolher com verdadeiro amor christão a humilde Congregação de Copacabana sob seu tecto, para nelle poderem estes discipulos do SENHOR continuar a prestar culto ao seu DEUS e SALVADOR; o irmão Felippe offertou generosamente o gradil e portão que enfeitam o bello edificio que agora vêdes consagrado a DEUS.

Queira DEUS abençoar estes fiéis servos com as bençams promettidas aos discípulos verdadeiros e dedicados de NOSSO SENHOR JESUS CHRISTO, são os votos dos humildes membros da Congregação de Copacabana, que com muito gosto assim manifestam a sua gratidão.”

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